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quinta-feira, 30 de agosto de 2012

Dudy's Special Review #8


Review: "Mass Effect 3"

O final que a série merece, na maior parte do tempo
Divulgação


A essa altura do campeonato, você já deve estar bem ciente de toda a polêmica que cerca “Mass Effect 3”. Centenas de fãs estão gastando horas e mais horas de suas vidas produzindo videos, escrevendo em fóruns e deixando bem claro para toda a internet o quanto eles odiaram o final do jogo e porque todos mais deveriam segui-los em sua fúria insana contra a Bioware.

Ok, temos um elefante na sala e vamos removê-lo de uma vez: o final de “Mass Effect 3” é extremamente subjetivo e permite dezenas de interpretações diferentes. Ele pode ser bastante confuso, parece incompleto em alguns momentos e pode frustrar o jogador, mas de forma alguma o impede de aproveitar todas as mais de 20 horas de história e desenvolvimento de personagens que o antecedem.

E se mesmo sim o final não lhe satisfizer, a Bioware logo lançará um complemento para ele. Se não lhe interessa adquirir um DLC, simplesmente não o faça e livre-se do jogo, no final você vai ficar muito mais feliz com essa decisão do que se resolvesse dedicar a vida a reclamar pela internet. Agora que já tiramos este problema do caminho, foquemo-nos nos demais aspectos de “Mass Effect 3”, que tal?


Uma narrativa grandiosa


A história retoma o arco da trilogia alguns meses depois do final de “Mass Effect 2”. Shepard está preso na Terra e, enquanto o governo de nosso planeta azul decide o que fazer com ele, eis que surgem os Reapers, abominações espaciais que exterminam toda a vida orgânica na galáxia a cada 50.000 anos. E eles decidiram começar pela Terra desta vez. Shepard passou os últimos anos avisando toda a galáxia que isso ia acontecer e ninguém lhe deu ouvidos. Logicamente, a obrigação de salvar a tudo que existe recai sobre seus ombros, e o herói tem de realizar mais uma missão impossível: unir todos os povos do universo na tarefa de destruir a ameaça Reaper antes que seja tarde demais.
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É nesse ponto que a narrativa inteira da série torna-se interligada. Séculos de desconfiança entre espécies diferentes não serão facilmente esquecidos, os laços que Shepard formou ao longo dos dois games anteriores terão enorme peso aqui e em muitas situações, serão a diferença entre a vida e a morte para povos inteiros. Só para citar um exemplo, quando joguei “Mass Effect 2”, um de meus personagens morreu durante a missão final. Sua ausência em “Mass Effect 3” me fez perder a ajuda de uma raça inteira, bem como causou a morte de um dos membros de meu pelotão. Responsabilidade é meio que a palavra tema do game: todo o erro cometido nos jogos anteriores volta para morder os calcanhares de Shepard de uma maneira ou de outra.

A história de “Mass Effect 3” amarra todas as pontas soltas da série com uma narrativa madura e excepcionalmente bem escrita. Nada acontece de forma gratuita, todos fazem sua parte dentro desta enorme ópera espacial e é impossível não deixar cair algumas lágrimas em momentos mais fortes. Guerras tem consequências, e este é um game que faz questão de mostrar ao jogador todo o peso de cada uma delas, de seu início sombrio até seu complexo final.

Beleza de tirar o fôlego


Tecnicamente falando, “Mass Effct 3” é um dos mais impressionantes games lançados nos últimos tempos. Os gráficos são estupendos, com modelos e personagens ainda mais detalhados no passado, se é que isso parecia possível. Por exemplo, é possível perceber discretas escamas na pele das Asari desta vez, algo imperceptível nos títulos anteriores, em que as texturas da pele Asari era similar ao dos humanos.

Os modelos, tanto de humanos quanto alienígenas chegam a ser muito próximos do foto realismo, o que nem sempre é positivo. Dependendo de como construir o rosto e seu (ou sua) comandante Shepard, ele pode parecer artificial quando comparado aos demais, o que sem dúvida causará uma discrepância visual enorme. Alguns jogadores podem não se incomodar com isso, mas para outros, esta será uma pedra no sapato que poderá infernizá-los por toda a duração do jogo.
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Os cenários são muito bem construídos e funcionais, o que torna a tarefa de se orientar por eles, algo quase instintivo. Os únicos momentos em que é possível perder-se é quando o jogo te coloca  em meio a grandes multidões, mas talvez esta desorientação seja proposital. Nunca é fácil caminhar em um local lotado de pessoas. Toda esta beleza não chega a custar nenhum preço da performance, que mantém-se sem queda de frames, mesmo durante os combates mais frenéticos e cheios de explosões e poderes. Sem dúvida uma proeza técnica que mais títulos de ação deveriam tentar emular.

O mesmo cuidado foi tomado com a parte sonora do jogo, que possui uma dublagem fantástica, realizada por alguns dos melhores profissionais que o mercado norte americano tem a oferecer. Jennifer Hale (que empresta sua voz a versão feminina da comandante Shepard) está especialmente bem em seu papel e transmite toda a exaustão e falta de auto-confiança que acompanham a heroína em sua empreitada.

Momentos dramáticos são transmitidos com perfeição pelos atores, bem como momentos casuais, que fluem com extrema naturalidade. Se fosse um filme ao invés de um game, as atuações arrancariam elogios até mesmo dos mais carrancudos críticos, e em um game com foco tão grande na história, isto é sem dúvida um grande ponto positivo.


Ação ordenada dentro do caos


A melhor maneira de descrever a ação de “Mass Effect 3” é como uma versão com mais recursos e menos barulhenta de “Gears of War”. A BioWare agora responde a Electronic Arts e sem dúvida recebeu ordens de transformar o título em algo que pudesse agradar desde os jogadores mais hardcore da franquia, como também aos fãs de shooters e modos multiplayer ativos e descomplicados que não fazem a menor idéia do que é “Mass Effect”.

Assim, a metamorfose da série para um shooter em terceira pessoa, que se iniciou no segundo título da saga, está agora completo. Atributos que normalmente comandam todas as suas chances de sucesso em combate tem pouca relevância aqui e são substituídos por perícias e poderes práticos nos moldes de perks do “Modern Warfare”, que podem ser usados no calor do momento e que lhe dão vantagens claras durante a troca de tiros.
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Jogadores que gostam de bancar os estrategistas, porém, ainda terão um prato cheio em mãos. Todas as técnicas de seu pelotão possuem eficiência específica contra determinados inimigos, então é possível combinar poderes de modo a obter o resultado desejado, seja ele destruir um inimigo, ou simplesmente abrir a guarda adversária para que seja possível desferir o golpe final.

Também existe uma enorme variação de armas e armaduras, que permitem um alto grau de customização no grupo. As vezes, um rifle com menos dano, mas com maior capacidade de munição é muito mais eficiente do que um rifle com alto dano, mas limitado em seus disparos. Encontrar um equilíbrio em seu pelotão, armar direito cada um deles e determinar suas funções em batalha é um exercício intelectual delicioso para aqueles que gostam de controlar cada aspecto da ação em seus games.

Da mesma forma, é possível colocar as ações de seus colegas no piloto automático e preocupar-se apenas em atirar. Isso também funciona muito bem, graças a competente inteligência artificial integrada aos demais personagens.

Com o passar da aventura, é necessário reunir um determinado contingente de aliados para repelir os Reapers da maneira mais eficiente. Aliados são feitos ao longo da história: é preciso muitas vezes beneficiar uma espécie em detrimento de outra (o que já pode variar muito os resultados da trama), mas existem inúmeras missões aleatórias espalhadas pela galáxia, que parecem pouco relevantes para o desenvolvimento da aventura principal, mas que poem ser, de grão em grão, uma ajuda indispensável na hora de se juntar as tropas necessárias para se conseguir o melhor final.
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Dito isso, uma das piores idéias implementadas a “Mass Effect 3”, é o fato de que o modo multiplayer influencia no single-player. O modo “Galaxy at War” é um modo de batalha em rede bastante básico e totalmente desnecessário em uma série que ficou conhecida por ser voltada para o single-player. O negócio é que cada partida influencia no número geral de tropas adquiridas na campanha principal. Em outras palavras, jogadores que queiram conseguir o melhor final terão de perder preciosas horas jogando em rede (mesmo que não queiram) ou deverão esmiuçar cada detalhe da história e do mapa da galáxia, sem deixarem passar nada. Pressão desnecessária para aqueles que não tem interesse em jogar multiplayer. Não culpe a BioWare, mas sim a  Electronic Arts, que deve ter pressionado um bocado os programadores para que tornassem “Mass Effect 3” mais “acessível” para jogadores casuais.

“Mass Effect 3” é um título grandioso, que sofreu um pouco por conta de problemas que sem dúvida surgiram na época de seu desenvolvimento. Seus criadores pretendiam encerrar a série com todo amor que tinham por ela, mas se depararam com os abismos criados pela corporação a quem tinham de responder, e com o desafio insuperável de desenvolver a conclusão do mais complexo arco narrativo dos videogames casando uma equipe de médio porte com a verba e demanda de uma empresa de grande tamanho.

A aventura final do (ou da) comandante Shepard é inesquecível, apesar das arestas pouco aparadas. O game chegou muito perto da perfeição e embora não seja aquilo que muitos esperavam, é ainda uma das melhores opções de narrativa e jogabilidade adulta, em um mercado que parece cada vez mais voltar-se ao multiplayer sem história alguma e aos títulos casuais.
Plataforma: Xbox 360, Playstation 3, PC
Produção: Electronic Arts
Desenvolvimento: BioWare

Gráficos: 10
Sons: 10
Replay: 9
Jogabilidade: 9
Diversão: 9

NOTA FINAL: 9

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