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segunda-feira, 21 de janeiro de 2013

A História de Arda #1- O Início dos Tempos


Sozinho no vazio vivia um ser onisciente chamado Eru, o Único, que depois seria chamado de Ilúvatar. Ele fez primeiro os Ainur, os sagrados, que eram filhos do seu pensamento e que estiveram com ele antes de alguma coisa mais ser feita.

Para os Ainur habitarem criou os Salões Eternos. E falava-lhes propondo temas de música que cantavam perante ele, e ficava satisfeito. Mas durante muito tempo cantavam só um de cada vez ou poucos juntos enquanto os restantes escutavam, pois cada um compreendia apenas uma pequena parte da mente de Ilúvatar e só lentamente iam compreendendo seus irmãos. No entanto todas as vezes que escutavam adquiriam uma compreensão mais profunda, e a sua unissonância e harmonia aumentavam. Então Ilúvatar disse aos Ainur: "Do tema que agora vos anunciei quero agora que façais juntos em harmonia uma grande música.
E como acendi em vós a chama imperecível demonstrareis os vossos poderes no adorno deste tema, cada um com os seus próprios pensamentos e engenho, se assim quiser. Mas eu ficarei sentado e escutarei e feliz me sentirei por, através de vós grande beleza ter despertado num canto." Ilúvatar sentou-se a escutar e durante muito tempo aprovou o que ouvia, pois não havia erros na úsica. Mas à medida que o tema se desenvolvia entrou no coração de Melkor a vontade de cantar assuntos da sua própria imaginação que não estavam de acordo com o tema de Ilúvatar, pois procurava assim aumentar a força e a glória da parte que lhe fora destinada.
A Melkor entre os Ainur tinham sido dados os maiores dons do poder e conhecimento, e ele compartilhava de todos os dons dos seus irmãos. Melkor fora muitas vezes sozinho aos lugares vazios à procura da flama imperecível pois crescia ardente nele o desejo de dar vida a coisas suas, e parecia-lhe que Ilúvatar não pensava no vazio e estava impaciente com esta vacuidade. Contudo não encontrou o fogo, pois ele estava com Ilúvatar. Mas sozinho começara a conceber pensamentos próprios, diversos dos seus irmãos.

Embora Tolkien diga em seus livros que a grande maioria dos Ainur permaneceu junto de Ilúvatar nos Salões Eternos, ele não nos diz mais nada sobre eles. Todos os acontecimentos subseqüentes em Arda falam apenas dos que desceram as esferas do mundo. Aqui esses espíritos tinham formas imateriais, eles se tornaram elementos da natureza. Como os deuses gregos e escandinavos os Valar podiam assumir formas físicas, tinham personalidades, gênero, e laços familiares uns com os outros. Os espíritos que desceram a Arda se dividem em dois tipos: os deuses chamados de Valar, e os semi-deuses chamados de Maiar.

Alguns desses pensamentos entreteceu agora na sua música e imediatamente houve dissonância à sua volta; muitos que cantavam perto dele ficaram desanimados, e o seu pensamento foi perturbado e a sua música vacilou; mas alguns começaram a afinar a sua música pela dele em vez de ser pelo pensamento que tinham ao princípio. Então a desafinação de Melkor alastrou ainda mais, e as melodias antes ouvidas soçobraram num mar de turbulento som. Mas Ilúvatar continuou sentado e a ouvir até parecer que à volta do seu trono havia uma tempestade violenta, como de águas escuras que se guerreavam entre si numa fúria infinita, que não se apaziguava.

No meio da contenda, em que as mansões de Ilúvatar estremeceram e um tremor percorreu os silêncios ainda não perturbados, Ilúvatar levantou-se uma terceira vez e o seu rosto era terrível de se ver. Então levantou ambas as mãos e, num acorde mais profundo que o abismo, mais alto do que o firmamento e penetrante como a luz dos olhos de Ilúvatar, a música cessou. Então, Ilúvatar falou e disse: "Poderosos são os Ainur e o mais poderoso dentre eles é Melkor; mas, para que ele saiba, e todos os Ainur, que sou Ilúvatar, as coisas que cantastes vos mostrarei, para que possais ver o que fizestes. E tu, Melkor, verás que nenhum tema pode ser tocado se não tiver a sua suprema fonte em mim, nem pode ninguém modificar a música a despeito meu. Pois aquele que o tentar apenas provará ser meu instrumento na invenção de coisas mais maravilhosas que ele próprio não imaginara".

E foi assim que, ao ser-lhes mostrada esta visão do mundo, os Ainur viram que continha coisas que eles não tinham pensado. E viram com espanto a vinda dos filhos e a habitação que estava preparada para eles e perceberam que eles próprios, no labor da sua música, tinham estado atarefados com a preparação dessa habitação, e, contudo, não sabiam que tinha algum propósito além da sua própria beleza, pois os filhos de Ilúvatar só por ele eram imaginados; vieram com o terceiro tema e não constavam do tema proposto por Ilúvatar ao princípio, e nenhum dos Ainur participara na sua criação.

Mas, depois de os Ainur terem olhado essa morada numa visão e terem visto erguer-se nela os filhos de Ilúvatar, então muitos dos mais poderosos dentre eles concentraram todo o seu pensamento e todo o seu desejo nesse lugar. E, deles, Melkor foi o principal, assim como foi no princípio o maior dos Ainur que tomou parte na música. E fingiu, ao princípio até para consigo próprio, que desejava ir para lá e organizar todas as coisas para bem dos filhos de Ilúvatar, controlando as tempestades de calor e frio que através dele tinham passado. O que, porém, desejava era submeter à sua vontade tanto os Elfos como os Homens, invejoso dos dons com os quais Ilúvatar prometia dotá-los; e, pessoalmente, desejava ter súditos e servidores e ser tratado por senhor e dominar outras vontades.
Mas os outros Ainur olharam aquela morada instalada nos vastos espaços do mundo, a que os Elfos chamam Arda, a Terra, e os seus corações rejubilaram com a luz, e os seus olhos, ao verem muitas cores, encheram-se de contentamento; mas, por causa do rugido do mar, sentiram uma grande inquietação. E observaram os ventos e o ar e as matérias de que Arda era feita - ferro, pedra, prata, ouro e muitas substâncias - mas de todas elas foi a água que mais elogiaram.

E dizem os Eldar que na água ainda vive o eco da música dos Ainur, mais do que em qualquer outra substância existente nesta Terra; e muitos dos filhos de Ilúvatar escutam ainda, insatisfeitos, as vozes do mar, sem, contudo, saberem o que escutam. Ora, foi para a água que Ainu, a quem os Elfos chamam Ulmo, voltou o pensamento, e de todos foi o mais profundamente instruído em música por Ilúvatar. Mas sobre os ares e os ventos meditara mais Manwë, que é o mais nobre dos Ainur. Na contextura da Terra pensara Aulë, a quem Ilúvatar dera perícia e conhecimento pouco inferiores aos de Melkor; mas o deleite e o orgulho de Aulë estão no ato de fazer e na coisa feita, e não na posse nem na sua própria mestria; por isso ele dá em vez de guardar, é livre de cuidados e está sempre a dedicar-se a qualquer novo trabalho.

Então houve desassossego entre os Ainur, mas Ilúvatar falou-lhes e disse: "Conheço o desejo das vossas mentes de que o que vistes exista verdadeiramente, não só no vosso pensamento mas também como vós próprios existis, e, contudo, diferentemente. Por isso, eu digo: Eä! Que estas coisas existam! E enviarei para o vazio a flama imperecível e ela ficará no coração do mundo, e o mundo existirá; e aqueles de vós que quiserem ir para ele." E, de súbito, os Ainur viram ao longe um luz, como se fosse uma nuvem com um coração vivo de chama, e souberam que não se tratava apenas de uma visão, mas sim que Ilúvatar fizera um coisa nova: Eä, o mundo que existe.

Aconteceu, assim, que dos Ainur alguns residiam ainda com Ilúvatar fora dos confins do mundo, mas outros, e entre eles muitos dos maiores e mais belos, despediram-se de Ilúvatar e desceram ao mundo. Mas uma condição Ilúvatar impôs , mesmo que se trate da necessidade do amor por eles, e foi a condição de que o poder dos que tal escolheram ficasse daí em diante contido e limitado no mundo, para ficar dentro dele para sempre, até estar completo, de modo que eles são a sua vida e ele é a vida deles. E por isso se chamam os Valar, os poderes do mundo.

Mas, quando entraram em Eä, os Valar ficaram, ao princípio, estupefatos e sem compreender, pois não parecia nada ter sido ainda feito do que tinham visto na visão e tudo estar apenas a começar e ainda informe, e era escuro. É que a grande música fora apenas o desabrochar e o florescimento do pensamento nas mansões eternas e a visão somente fora uma prefiguração; mas agora tinham entrado no princípio do tempo, e os Valar perceberam que o mundo não fora mais do que prenunciado e pré cantado, e eles tinham de realizá-lo. Assim começaram os seus grandes labores em desertos incomensuráveis e inexplorados, durante eras incontáveis e esquecidas, até, nas profundezas do tempo e no meio das imensas mansões de Eä, chegarem aquela hora e aquele lugar em que foi feita a morada dos filhos de Ilúvatar. E, desse trabalho, a parte principal foi assumida por Manwë, Aulë e Ulmo

Portanto, quando a Terra ainda era jovem e cheia de flama, Melkor cobiçou-a e disse aos outros Valar: "Este será o meu reino, e meu o proclamo!". Mas Manwë era irmão de Melkor na mente de Ilúvatar e o principal instrumento do segundo tema que Ilúvatar apresentara contra a desafinação de Melkor; e chamou a si muitos espíritos, tanto maiores como menores, e estes desceram aos campos de Arda e ajudaram Manwë, não fosse Melkor impedir para sempre a realização do seu labor e a Terra murchar antes de florir. E Manwë disse a Melkor: "Este reino não tomarás injustamente como teu, pois muitos outros aqui trabalharam não menos do que tu." E houve contenda entre Melkor e os outros Valar; e, por essa vez, Melkor recuou e partiu para outras regiões, nas quais fez como lhe aprouve, mas não tirou do coração o desejo do reino de Arda.

E os Valar chamaram a si muitos companheiros, alguns inferiores e alguns quase tão grandes quanto eles próprios, e trabalharam juntos no ordenamento da Terra e na contenção dos seus tumultos. Então, Melkor viu o que estava feito e que os Valar caminhavam na Terra como poderes visíveis, envoltos no trajar do mundo, e que eram encantadores e gloriosos de ver, e felizes, e que a Terra se estava a tornar como que um jardim para seu deleite, pois as suas convulsões estavam subjugadas. A sua inveja tornou-se ainda maior dentro dele e também assumiu forma visível, mas, por via da sua disposição e da maldade que nele ardia, essa forma foi escura e terrível.

Assim começou a primeira batalha dos Valar com Melkor pelo domínio de Arda; e, desses tumultos, os Elfos pouco sabem, pois o que foi aqui declarado proveio dos próprios Valar, com quem os Eldalië falaram na terra de Valinor e por quem foram instruídos; mas pouco quiseram os Valar dizer das guerras anteriores à chegada dos Elfos. No entanto, diz-se entre os Eldar que os Valar sempre tentaram , a despeito de Melkor, dominar a Terra e prepará-la para a vinda dos primogênitos; e construíram terras e Melkor destruiu-as, escavaram vales , que Melkor soergueu, esculpiram montanhas, que Melkor arrasou, abriram mares, que Melkor derramou; e nada podia ter paz ou crescimento duradouro, pois assim que os Valar iniciavam um labor, tão logo Melkor o desfazia ou corrompia.
Fonte: O Antigo Site de Tolkien Dúvendor ( sei tudo isso mas dá preguiça de escrever :P)

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