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sexta-feira, 25 de janeiro de 2013

A História de Arda #2- A Era das Lâmpadas: Illuin e Ormal


Diz-se entre os sábios que a Primeira Guerra começou antes que Arda estivesse totalmente formada, e antes mesmo que qualquer criatura crescesse ou caminhasse sobre a terra; e por muito tempo Melkor prevaleceu.
Entretanto no meio da guerra ao ouvir no distante firmamento que havia batalha no Pequeno Reino, um espírito de enorme força e resistência veio em auxílio dos Valar; e Arda se encheu com o som de seu riso. Assim veio Tulkas, o Forte, cuja ira circula como um vento poderoso afastando a nuvem e a escuridão à sua frente. E Melkor fugiu de sua fúria e de suas risadas abandonando Arda, e a paz reinou por uma longa era. Tulkas permaneceu tornando-se um dos Valar do Reino de Arda; mas Melkor remoia pensamentos nas trevas distantes e dirigiu seu ódio a Tulkas para todo o sempre.
Neste ponto Tolkien relata o surgimento de um período tranqüilo chamado As Eras das Lâmpadas. Isso ocorreu quando apesar das cicatrizes deixadas na primeira guerra dos poderes os Valar encheram o mundo de maravilhas naturais de grande beleza e harmonia. Essas Eras foram assim chamadas pela criação de duas colossais lâmpadas mágicas que iluminaram o mundo.

Naquele período os Valar trouxeram ordem aos mares, terras e montanhas, e Yavanna finalmente plantou as sementes que havia muito imaginara. E como houvesse necessidade de luz já que os fogos estavam dominados ou enterrados sob as colinas primitivas, Aulë a pedido de Yavanna criou duas Lâmpadas poderosas para iluminar a Terra-média, construídas por ele entre os mares circundantes. Então Varda encheu as Lâmpadas e Manwë as consagrou; e os Valar as puseram em cima de colunas altíssimas, mais elevadas do que qualquer das montanhas mais recentes. Ergueram uma lâmpada junto ao norte da Terra-média, e ela se chamou Illuin; e a outra foi erguida no sul, e foi chamada Ormal; e a luz das Lâmpadas dos Valar se derramou por toda a Terra iluminando tudo como se fosse sempre dia.

Então as sementes que Yavanna havia plantado logo começaram a brotar e a se desenvolver, e surgiu uma infinidade de seres em crescimento, grandes e pequenos, musgos, capins e enormes samambaias, e árvores cujas copas eram coroadas de nuvens como montanhas vivas, mas cujos pés ficavam envoltos numa penumbra verde. E surgiram feras que habitavam as pradarias, os rios e os lagos, ou caminhavam nas sombras dos bosques. Ainda não surgira nenhuma flor nem cantara pássaro algum, pois esses seres esperavam sua vez no ventre de Yavanna; mas havia abundância do que ela imaginara e nenhum lugar era mais rico do que as partes mais centrais da Terra onde a luz das duas Lâmpadas se encontrava e se fundia. E ali na Ilha de Almaren, no Grande Lago, foi a primeira morada dos Valar quando tudo era novo e o verde recém-criado ainda era uma maravilha aos olhos dos criadores. E eles se contentaram por muito tempo.
Assim os Valar se reuniram em Almaren sem temer mal algum, e por causa da luz de Illuin não perceberam a sombra ao norte que vinha sendo lançada de longe por Melkor; pois ele se tornara escuro como a Noite do Vazio. E dizem as canções que naquela festa na Primavera de Arda, Tulkas desposou Nessa, irmã de Oromë, e ela dançou diante dos Valar sobre a relva verdejante de Almaren.

Tulkas então adormeceu, exausto e feliz, e Melkor acreditou que sua hora havia chegado. Transpôs as Muralhas da Noite com sua legião e chegou à Terra-média, a distância, no norte, sem que os Valar dele se apercebessem. Melkor iniciou então as escavações e a construção de uma enorme fortaleza nas profundezas da Terra debaixo das montanhas escuras onde os raios de Illuin eram frios e pálidos. Esta fortaleza foi chamado Utumno. E embora os Valar ainda nada soubessem a seu respeito, mesmo assim a perversidade de Melkor e a influência maléfica de seu ódio emanavam de lá, e a Primavera de Arda foi destruída. Os seres verdes adoeceram e apodreceram, os rios foram obstruídos por algas e lodo; criaram-se pântanos repelentes e venenosos, criatórios de moscas; as florestas tornaram-se sombrias e perigosas, antros do medo; as belas criaturas de Yavanna se transformaram em monstros dotados de chifre e corno cheias de desejo por sangue.

Os Valar tiveram então certeza de que Melkor estava agindo novamente e saíram à procura de seu esconderijo. Melkor porém, confiante na resistência de Utumno e no poder de seus servos apresentou-se de repente para a Luta e deu o primeiro golpe antes que os Valar estivessem preparados; atacou as luzes de Illuin e Ormal, arrasou suas colunas e quebrou suas Lâmpadas. Quando as enormes colunas desmoronaram terras fenderam-se e mares elevaram-se em turbulência. E quando as Lâmpadas foram derrubadas, labaredas destruidoras se derramaram pela Terra. E a forma de Arda além da simetria de suas águas e de suas terras foi desfigurada naquele momento de tal modo que os primeiros projetos dos Valar nunca mais foram restaurados.

Em meio à confusão e às trevas Melkor conseguiu escapar, embora o medo se abatesse sobre ele; pois mais alto que o bramido dos mares ele ouvia a voz de Manwë como um vento fortíssimo, e a terra tremia sob os pés de Tulkas. Chegou porém a Utumno antes que Tulkas conseguisse alcançá-lo; e ali permaneceu escondido. E os Valar não puderam então derrotá-lo já que a maior parte de sua força era necessária para controlar as turbulências da Terra e salvar da destruição tudo o que pudesse ser salvo de sua obra. Depois eles recearam fender novamente a Terra, enquanto não soubessem onde habitavam os Filhos de Ilúvatar que ainda estavam por vir num momento que desconheciam.

Assim terminou a Primavera de Arda. A morada dos Valar em Almaren foi totalmente destruída e eles não tinham nenhum local de pouso na face da Terra. Por esse motivo partiram da Terra-média e foram para a Terra de Aman, a mais ocidental de todas as terras junto aos limites do mundo; pois seu litoral oeste dá para o Mar de Fora que é chamado pelos elfos de Ekkaia e circunda o Reino de Arda. A extensão desse mar ninguém conhece a não ser os Valar; e, para além dele ficam as Muralhas da Noite. Já a costa leste de Aman era o limite mais distante de Belegaer, o Grande Mar do Oeste.

E como Melkor estava de volta à Terra-média e eles ainda não tinham como derrotá-lo, os Valar fortificaram sua morada. Junto ao litoral ergueram as Pelóri, as montanhas de Aman, as mais altas de toda a Terra. E acima de todas as montanhas das Pelóri elevava-se aquela em cujo pico Manwë instalou seu trono. Taniquetil é como os elfos chamam essa montanha sagrada. Já os sindar a mencionavam, em sua língua mais recente, como Amon Uilos. De seu palácio no cume da Taniquetil Manwë e Varda conseguiam descortinar a Terra inteira, até mesmo as maiores distâncias a leste.

Este foi um período muito tranqüilo que também foi chamado de Primavera de Arda, quando Yavanna a Frutífera trouxe as grandes florestas e as vastas campinas e muitos animais e criaturas dóceis e belas para a terra e rios. A vida estava começando a surgir e os Valar viam com olhos de ver o mundo se tornar habitado e vivo... mas uma tristeza e ansiedade secreta estava latente em seus corações, pois as crianças de Eru ainda não haviam despertado.

Ora, veio a acontecer que enquanto os Valar repousavam da sua labuta e observavam o crescimento e o desabrochar daquilo que haviam inventado e iniciado, Manwë ofereceu uma grande festa; e os Valar e toda a sua gente atenderam ao convite. No entanto Aulë e Tulkas estavam exaustos; pois a habilidade de Aulë e a força de Tulkas haviam estado ininterruptamente a serviço de todos nos dias de sua faina. E Melkor sabia de tudo o que era feito pois já naquela época dispunha de espiões e amigos secretos entre os Maiar, que havia atraído para sua causa. E muito ao longe nas trevas ele se enchia de ódio, sentindo inveja do trabalho de seus pares e desejando submetê-los. Assim Melkor chamou a si os espíritos que desviara para seu serviço fazendo-os sair das mansões de Eä, e se considerou forte. E vendo que essa era sua hora ele mais uma vez se aproximou de Arda e baixou os olhos até ela; e a beleza da Terra em sua Primavera o enfureceu ainda mais.
Fonte: Duvendor

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