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segunda-feira, 28 de janeiro de 2013

A História de Arda #3- As Eras das Árvores e As Eras das Estrelas


Por detrás das impenetráveis muralhas das Pelóri, os Valar estabeleceram seu domínio na região chamada Valinor; e ali ficavam suas casas seus jardins e suas torres. Nesse território seguro, os Valar acumularam enorme quantidade de luz e tudo de mais belo que fora salvo da destruição.
E valinor foi abençoada, pois os Imortais ali moravam e nada desbotava nem murchava; não havia mácula alguma em flor ou folha naquela terra; nem nenhuma decomposição ou enfermidade em coisa alguma que fosse viva pois as próprias pedras e águas eram abençoadas. E quando Valinor estava pronta e as mansões dos Valar instaladas, no meio da planície do outro lado das montanhas eles construíram sua cidade, Valmar de muitos sinos.
Diante de seu portão ocidental, havia uma colina verdejante chamada Ezellohar, Yavanna a consagrou e ficou ali sentada muito tempo sobre a relva verde entoando uma canção de poder na qual expunha o que pensava sobre as coisas que crescem na terra. Nienna, porém, meditava calada e regava o solo com lágrimas. Naquele momento os Valar reunidos para ouvir o canto de Yavanna estavam sentados, em silêncio, em seus tronos do conselho no Máhanaxar, o Círculo da Lei junto aos portões dourados de Valmar; e Yavanna Kementári cantava diante deles, e eles observavam.

E enquanto olhavam viram surgir sobre a colina dois brotos esguios; e o silêncio envolveu todo o mundo naquela hora, não havia nenhum outro som senão o canto de Yavanna. Em obediência a seu canto as árvores jovens cresceram e ganharam beleza e altura; e vieram a florir; e assim, surgiram no mundo as Duas Árvores de Valinor. De tudo o que Yavanna criou ambas são as mais célebres, e em torno de seu destino são tecidas todas as histórias dos Dias Antigos.
Uma tinha folhas verde-escuras, que na parte de baixo eram como prata brilhante; e de cada uma de suas inúmeras flores caía sem cessar um orvalho de luz prateada; e a terra sob sua copa era manchada pelas sombras de suas folhas esvoaçantes. A outra apresentava folhas de um verde viçoso, como o da faia recém-aberta, orladas de um dourado cintilante. As flores balançavam nos galhos em cachos de um amarelo flamejante, cada um na forma de uma cornucópia brilhante, derramando no chão uma chuva dourada. E da flor daquela árvore, emanavam calor e uma luz esplêndida. Telperion, a primeira era chamada, mas Laurelin era a outra, e ambas eram irmãs.

Em sete horas a glória de cada árvore atingia a plenitude e voltava novamente ao nada; e cada uma despertava novamente para a vida uma hora antes de a outra deixar de brilhar. Assim em Valinor duas vezes ao dia havia uma hora suave de luz mais delicada, quando as duas árvores estavam fracas e seus raios prateados e dourados se fundiam. Telperion era a mais velha das árvores e chegou primeiro à sua plena estatura e florescimento; e naquela primeira hora em que brilhou com o bruxulear pálido de uma alvorada de prata os Valar não incluíram na história das horas, mas lhe chamaram de Hora Inaugural, e a partir dela passaram a contar o tempo de seu reinado em Valinor.

Portanto à sexta hora do Primeiro Dia, e de todos os dias jubilosos que se seguiram até o Ocaso de Valinor Telperion interrompia sua vez de florir; e na décima segunda hora era Laurelin que o fazia. E cada dia dos Valar em Aman continha doze horas e terminava com a segunda fusão das luzes na qual Laurelin empalidecia e Telperion se fortalecia. Contudo a luz que se derramava das árvores persistia muito antes de ser levada para as alturas pelos ares ou de afundar terra adentro. E das gotas de orvalho de Telperion e da chuva que caía de Laurelin, Varda armazenava em enormes tonéis como lagos brilhantes que eram para toda a terra dos Valar como poços de água e luz. Assim começaram os Dias de Bem-aventurança de Valinor; e assim começou a Contagem do Tempo.

Porém, enquanto as Eras se aproximavam da hora estabelecida por Ilúvatar para a chegada dos Primogênitos, a Terra-média jazia numa penumbra sob as estrelas que Varda havia criado nos tempos remotos da sua labuta em Eä. E nas trevas habitava Melkor, e ele ainda saía com freqüência sob muitos disfarces de poder e terror, brandindo o frio e o fogo dos cumes das montanhas às fornalhas profundas que se encontram sob elas; e tudo o que fosse cruel, violento ou fatal naqueles tempos é a ele atribuído.
Uma vez aconteceu de Oromë cavalgar mais para o leste em sua caçada e ele se voltou para o norteàs margens do Helcar, e passou à sombra das Orocami, as Montanhas do Leste. E então Nahar começou a relinchar muito e estancou, imóvel. E Oromë se perguntou o que seria e ficou calado. Pareceu-lhe ouvir ao longe no silêncio da terra sob as estrelas o canto de muitas vozes.

Foi assim que os Valar encontraram afinal, como que por acaso, aqueles que por quem há muito esperavam. E Oromë ao contemplar os elfos encheu-se de admiração, como se eles fossem seres inesperados, maravilhosos e imprevistos; pois assim sempre será com os Valar. De fora do Mundo, embora todas as coisas possam ser prenunciadas em música ou previstas em visões remotas, para aqueles que realmente entrem em Eä uma coisa de cada vez os apanhará desprevenidos como algo novo e inaudito.

No início os elfos eram mais fortes e imponentes do que se tornaram desde então; mas não eram mais belos; pois embora a beleza dos quendi nos dias de sua juventude superasse qualquer outra que Ilúvatar tenha feito surgir, ela não pereceu mas vive no oeste, e a tristeza e a sabedoria a enriqueceram. E Oromë amou os quendi e os chamou em sua própria língua de eldar, o povo das estrelas. Esse nome entretanto só foi usado por aqueles que o seguiram na estrada para o oeste. Foi assim que, quando Nahar relinchou e Oromë de fato surgiu entre eles alguns dos quendi se esconderam, e alguns fugiram e se perderam. Mas aqueles que tiveram coragem e permaneceram rapidamente perceberam que o Grande Cavaleiro não era nenhuma forma saída das trevas, pois a luz de Aman estava em seu semblante, e todos os mais nobres elfos se sentiam atraídos por ela.

Oromë demorou-se um pouco entre os quendi e então voltou veloz por terra e mar a Valinor trazendo as notícias a Valmar; e falou das sombras que perturbavam Cuiviénen. Alegraram-se então os Valar, e no entanto sentiam alguma dúvida em meio ao júbilo; e debateram muito qual seria a melhor decisão a tomar para proteger os quendi da sombra de Melkor. Oromë porém, voltou de imediato a Terra-média para morar com os elfos. Em pouco tempo os Valar decidiram ir a guerra contra Melkor, e a oeste dos poderes do oeste marchou para a guerra na Terra-média.
Melkor enfrentou a investida dos Valar no noroeste e toda a região sofreu grande destruição. Mas a primeira vitória dos exércitos do oeste foi rápida e os servos de Melkor fugiram perseguidos até Utumno. Então os Valar cruzaram a Terra-média e montaram guarda para vigiar Cuiviénen; daí em diante os quendi nada souberam da grande Batalha dos Poderes senão que a terra tremia e gemia sob seus pés e as águas mudavam de lugar; e ao norte havia clarões como os de enormes fogueiras. Longo e angustiante foi o cerco a Utumno e muitas batalhas foram travadas diante de seus portões, das quais nada chegou aos ouvidos dos elfos a não ser rumores.

Finalmente, porém, os portões de Utumno foram arrombados e seus salões destelhados; e Melkor foi refugiar-se em sua masmorra mais profunda. Tulkas apresentou-se então para defender os Valar. Lutou com ele e o lançou de rosto no chão. E Melkor foi acorrentado com Angainor, a corrente que Aulë havia feito, e levado prisioneiro... e o mundo teve paz por três longas eras.

Três Eras de encarceramento, este foi o julgamento dos Valar. E por três Eras Melkor foi mantido prisioneiro nos Salões de Mandos sem que Angainor fosse removida. Porém quando este tempo passou Melkor foi novamente recebido pelos Valar, e diante dos portões de Valmar Melkor humilhou-se aos pés de Manwë e suplicou seu perdão, jurando que se pudesse ser equiparado mesmo ao mais ínfimo dos seres livres de Valinor ajudaria os Valar em todas as suas obras e, principalmente na cura dos muitos danos que causara ao mundo.

Concedeu-lhe então Manwë o perdão; mas os Valar ainda não se dispunham a deixá-lo partir para fora do alcance de sua visão e de sua vigilância; e ele foi obrigado a permanecer dentro dos portões de Valmar. Entretanto eram aparentemente justos todos os atos e palavras de Melkor naquela época; e tanto os Valar quanto os eldar se beneficiavam de sua ajuda e de seus conselhos se os procurassem. Portanto dentro de pouco tempo ele recebeu permissão para andar livremente pelo território de Aman; mas em seu coração Melkor odiava acima de tudo os eldar, tanto por serem belos e alegres quanto por ver neles a razão para o ataque dos Valar e sua própria derrota. Por esse motivo mais ainda simulava amor por eles, procurando sua amizade e lhes oferecendo seu conhecimento e seus serviços em qualquer grande obra que quisessem empreender.
Ora... passado algum tempo Melkor foi a Avathar e assumiu novamente a forma que havia usado como tirano de Utumno: a de um Senhor cruel, alto e terrível. Nessa forma ele permaneceu eternamente. Ali, nas sombras negras fora do alcance até mesmo dos olhos de Manwë em seus altos palácios, Melkor tramou sua vingança aliando-se a Ungoliant... a aranha gigante do submundo.

Um manto de trevas ela teceu ao redor de ambos quando Melkor e ela avançaram: uma antiluz, na qual as coisas pareciam não mais existir e os olhos não conseguiam penetrar porque ela era vazia. E então lentamente ela começou a criar suas teias: corda a corda, de fenda em fenda, de rocha saliente até pináculo de pedra, sempre subindo, arrastando-se e se agarrando até afinal chegar ao próprio cume de Hyarmentir, a montanha mais alta naquela região do mundo, muito ao sul da enorme Taniquetil. Ali os Valar não vigiavam; pois a oeste das Pelóri havia uma terra vazia na penumbra e a leste as montanhas, à exceção da região esquecida de Avathar davam apenas para as águas turvas do mar inexplorado.

Agora porém no topo da montanha estava Ungoliant. Ela teceu uma escada de cordas trançadas e a jogou para baixo. E Melkor subiu por essa escada e chegou àquele lugar nas alturas, parou a seu lado e baixou o olhar até o Reino Protegido. Abaixo deles estavam os bosques de Oromë e a oeste tremeluziam os campos e as pastagens de Yavanna, dourados abaixo do alto trigo dos deuses. Melkor olhou para o norte e avistou ao longe a planície reluzente e os domos de prata de Valmar, cintilando à mescla de luzes de Telperion e Laurelin. Deu então uma forte risada e desceu veloz pelas longas encostas ocidentais. E Ungoliant estava a seu lado, e sua escuridão os encobria.

Naquele mesmo instante Melkor e Ungoliant atravessaram apressados os campos de Valinor como a sombra de uma nuvem negra ao sabor do vento que passa veloz sobre a terra ensolarada. Os dois chegaram à colina verde de Ezellohar, então a antiluz de Ungoliant subiu até as raízes das Árvores e Melkor de um salto escalou a colina. E com uma lança negra atingiu cada Árvore até o cerne ferindo ambas profundamente. A seiva jorrou como se fosse seu sangue e se derramou pelo chão, Ungoliant tudo sugou; e indo de uma Árvore a outra grudou seu bico negro nos ferimentos até que as esgotou. E o veneno da Morte que ela continha penetrou em seus tecidos e as fez murchar, na raiz, no galho, na folha... a as árvores morreram. Einda assim Ungoliant sentiu sede. Foi até os Poços de Varda e também os secou arrotando vapores negros enquanto bebia; e inchou tanto e de forma tão horrenda que Melkor sentiu medo.

Das alturas de Taniquetil Varda olhou para baixo e viu a Sombra que se erguia em súbitas torres de trevas. Valmar havia mergulhado num profundo mar noturno. Logo a Montanha Sagrada estava só, uma última ilha num mundo submerso. Toda a música cessou. Reinava o silêncio em Valinor e não se ouvia nenhum som além de algo que vinha de longe, com o vento atravessando a passagem nas montanhas: o lamento dos elfos como o grito frio de gaivotas. Pois o vento soprava gelado do leste naquela hora e as vastas sombras do mar rolavam contra as muralhas do litoral. Manwë, porém de seu trono elevado olhou ao longe; e somente seus olhos atravessaram a noite até que divisaram uma Escuridão mais do que escura, na qual não conseguiam penetrar imensa mas muito distante, movendo-se agora para o norte a grande velocidade. E ele soube que Melkor havia vindo e ido embora.

Teve início então a perseguição. E a terra tremeu com os cavalos da hoste de Oromë, e as faíscas acesas pelos cascos de Nahar foram a primeira luz que voltou a Valinor. Porém, assim que qualquer um deles alcançava a Nuvem de Ungoliant os cavaleiros dos Valar ficavam cegos e apavorados, e se dispersavam e não sabiam para onde estavam indo; e o som da Valaróma hesitava e se calava. Tulkas parecia alguém preso a uma teia negra à noite, e ele estava ali indefeso, debatendo-se em vão no ar. Mas quando a Escuridão passou era tarde demais. Melkor havia fugido para onde queria, e sua vingança estava consumada.
Melkor enfrentou a investida dos Valar no noroeste e toda a região sofreu grande destruição. Mas a primeira vitória dos exércitos do oeste foi rápida e os servos de Melkor fugiram perseguidos até Utumno. Então os Valar cruzaram a Terra-média e montaram guarda para vigiar Cuiviénen; daí em diante os quendi nada souberam da grande Batalha dos Poderes senão que a terra tremia e gemia sob seus pés e as águas mudavam de lugar; e ao norte havia clarões como os de enormes fogueiras. Longo e angustiante foi o cerco a Utumno e muitas batalhas foram travadas diante de seus portões, das quais nada chegou aos ouvidos dos elfos a não ser rumores.

Finalmente, porém, os portões de Utumno foram arrombados e seus salões destelhados; e Melkor foi refugiar-se em sua masmorra mais profunda. Tulkas apresentou-se então para defender os Valar. Lutou com ele e o lançou de rosto no chão. E Melkor foi acorrentado com Angainor, a corrente que Aulë havia feito, e levado prisioneiro... e o mundo teve paz por três longas eras.

Três Eras de encarceramento, este foi o julgamento dos Valar. E por três Eras Melkor foi mantido prisioneiro nos Salões de Mandos sem que Angainor fosse removida. Porém quando este tempo passou Melkor foi novamente recebido pelos Valar, e diante dos portões de Valmar Melkor humilhou-se aos pés de Manwë e suplicou seu perdão, jurando que se pudesse ser equiparado mesmo ao mais ínfimo dos seres livres de Valinor ajudaria os Valar em todas as suas obras e, principalmente na cura dos muitos danos que causara ao mundo.

Concedeu-lhe então Manwë o perdão; mas os Valar ainda não se dispunham a deixá-lo partir para fora do alcance de sua visão e de sua vigilância; e ele foi obrigado a permanecer dentro dos portões de Valmar. Entretanto eram aparentemente justos todos os atos e palavras de Melkor naquela época; e tanto os Valar quanto os eldar se beneficiavam de sua ajuda e de seus conselhos se os procurassem. Portanto dentro de pouco tempo ele recebeu permissão para andar livremente pelo território de Aman; mas em seu coração Melkor odiava acima de tudo os eldar, tanto por serem belos e alegres quanto por ver neles a razão para o ataque dos Valar e sua própria derrota. Por esse motivo mais ainda simulava amor por eles, procurando sua amizade e lhes oferecendo seu conhecimento e seus serviços em qualquer grande obra que quisessem empreender.
Ora... passado algum tempo Melkor foi a Avathar e assumiu novamente a forma que havia usado como tirano de Utumno: a de um Senhor cruel, alto e terrível. Nessa forma ele permaneceu eternamente. Ali, nas sombras negras fora do alcance até mesmo dos olhos de Manwë em seus altos palácios, Melkor tramou sua vingança aliando-se a Ungoliant... a aranha gigante do submundo.

Um manto de trevas ela teceu ao redor de ambos quando Melkor e ela avançaram: uma antiluz, na qual as coisas pareciam não mais existir e os olhos não conseguiam penetrar porque ela era vazia. E então lentamente ela começou a criar suas teias: corda a corda, de fenda em fenda, de rocha saliente até pináculo de pedra, sempre subindo, arrastando-se e se agarrando até afinal chegar ao próprio cume de Hyarmentir, a montanha mais alta naquela região do mundo, muito ao sul da enorme Taniquetil. Ali os Valar não vigiavam; pois a oeste das Pelóri havia uma terra vazia na penumbra e a leste as montanhas, à exceção da região esquecida de Avathar davam apenas para as águas turvas do mar inexplorado.

Agora porém no topo da montanha estava Ungoliant. Ela teceu uma escada de cordas trançadas e a jogou para baixo. E Melkor subiu por essa escada e chegou àquele lugar nas alturas, parou a seu lado e baixou o olhar até o Reino Protegido. Abaixo deles estavam os bosques de Oromë e a oeste tremeluziam os campos e as pastagens de Yavanna, dourados abaixo do alto trigo dos deuses. Melkor olhou para o norte e avistou ao longe a planície reluzente e os domos de prata de Valmar, cintilando à mescla de luzes de Telperion e Laurelin. Deu então uma forte risada e desceu veloz pelas longas encostas ocidentais. E Ungoliant estava a seu lado, e sua escuridão os encobria.

Naquele mesmo instante Melkor e Ungoliant atravessaram apressados os campos de Valinor como a sombra de uma nuvem negra ao sabor do vento que passa veloz sobre a terra ensolarada. Os dois chegaram à colina verde de Ezellohar, então a antiluz de Ungoliant subiu até as raízes das Árvores e Melkor de um salto escalou a colina. E com uma lança negra atingiu cada Árvore até o cerne ferindo ambas profundamente. A seiva jorrou como se fosse seu sangue e se derramou pelo chão, Ungoliant tudo sugou; e indo de uma Árvore a outra grudou seu bico negro nos ferimentos até que as esgotou. E o veneno da Morte que ela continha penetrou em seus tecidos e as fez murchar, na raiz, no galho, na folha... a as árvores morreram. Einda assim Ungoliant sentiu sede. Foi até os Poços de Varda e também os secou arrotando vapores negros enquanto bebia; e inchou tanto e de forma tão horrenda que Melkor sentiu medo.

Das alturas de Taniquetil Varda olhou para baixo e viu a Sombra que se erguia em súbitas torres de trevas. Valmar havia mergulhado num profundo mar noturno. Logo a Montanha Sagrada estava só, uma última ilha num mundo submerso. Toda a música cessou. Reinava o silêncio em Valinor e não se ouvia nenhum som além de algo que vinha de longe, com o vento atravessando a passagem nas montanhas: o lamento dos elfos como o grito frio de gaivotas. Pois o vento soprava gelado do leste naquela hora e as vastas sombras do mar rolavam contra as muralhas do litoral. Manwë, porém de seu trono elevado olhou ao longe; e somente seus olhos atravessaram a noite até que divisaram uma Escuridão mais do que escura, na qual não conseguiam penetrar imensa mas muito distante, movendo-se agora para o norte a grande velocidade. E ele soube que Melkor havia vindo e ido embora.

Teve início então a perseguição. E a terra tremeu com os cavalos da hoste de Oromë, e as faíscas acesas pelos cascos de Nahar foram a primeira luz que voltou a Valinor. Porém, assim que qualquer um deles alcançava a Nuvem de Ungoliant os cavaleiros dos Valar ficavam cegos e apavorados, e se dispersavam e não sabiam para onde estavam indo; e o som da Valaróma hesitava e se calava. Tulkas parecia alguém preso a uma teia negra à noite, e ele estava ali indefeso, debatendo-se em vão no ar. Mas quando a Escuridão passou era tarde demais. Melkor havia fugido para onde queria, e sua vingança estava consumada.

Fonte:Duvendor

Somente após muitas Eras de escuridão os Valar criaram novas luzes em Arda. Foi Varda, a Senhora das Estrelasque usando o orvalho recolhido da Árvore de Prata reascendeu as estrelas do mundo.
Então uma nova luz surgiu, e ela era como o brilhar de milhares de diamantes em uma cortina de veludo negro. As distorcidas criaturas de Melkor estavam tão desacostumadas a luz que gritaram a fugiram em pânico quando as estrelas iluminaram a Terra-média. Contam as lendas que os Valar estavam reunidos em conselho, nisso Varda afastou-se olhando das alturas da Taniquetil e contemplando a escuridão da Terra-média abaixo das inúmeras estrelas pálidas e esparsas. Começou ela nesse instante um enorme trabalho, a maior de todas as obras dos Valar desde sua chegada a Arda.
Apanhou os orvalhos de prata e ouro de Telperion e Laurelin, e com eles fez estrelas novas e mais brilhantes para a chegada dos elfos. Por isso, ela cujo nome desde as profundezas do tempo e da construção de Eä era Tintallë, a Inflamadora, foi mais tarde chamada pelos elfos de Elentári... Rainha das Estrelas. Carnil e Luinil, Nénar e Lumbar, Alcarinquë e Elemmírë ela criou naquela ocasião, e muitas outras das estrelas mais antigas reuniu e dispôs como sinais dos céus de Arda: Wilrarin, Telumendil, Soronúmë e Anarríma; e Menelmacar, com seu cinturão cintilante, prenúncio da última Batalha que ocorrerá no final dos tempos. E bem alto ao norte como um desafio a Melkor ela pôs a balançar a coroa de sete estrelas poderosas, Valacirca, a Foice dos Valar e sinal do destino.

Diz-se que no momento em que Varda encerrou seus trabalhos, e eles foram demorados, quando Menelmacar foi subindo pelo céu, e a chama azul de Helluin cintilou nas névoas acima dos limites do mundo, nessa hora os Filhos da Terra despertaram, os Primogênitos de Ilúvatar. Perto do lago Cuiviénen, a Água do Despertar, iluminados pelas estrelas eles acordaram do sono de Ilúvatar. E enquanto permaneciam ainda em silêncio junto a Cuiviénen seus olhos contemplaram antes de qualquer coisa as estrelas dos céus. Por isso eles sempre amaram o brilho das estrelas e reverenciam Varda Elentári mais do que qualquer outro Vala.

Muito tempo eles viveram em seu primeiro lar junto à água, à luz das estrelas, e caminhavam pela Terra maravilhados. E começaram a criar a fala e a dar nomes a todas as coisas que percebiam. A si mesmos chamaram quendi, querendo dizer aqueles que falam com vozes pois até então não haviam conhecido nenhum outro ser vivo que falasse ou cantasse.

Foi assim que o Vala chamado Oromë soube do despertar das Crianças de Ilúvatar (os elfos) ele também soube da maldade de Melkor para com eles. Foi formado um conselho de guerra, todos os Valar e muitos dos Maiar foram para a Terra-média onde trouxeram as legiões de Melkor para o combate. Este conflito ficou conhecido como a Guerra Da Ira. Nele os Poderes de Arda exterminaram os exércitos de Melkor. O muro das Montanhas de Ferro foi quebrado e Utumno totalmente destruída. Assim o domínio de Melkor sobre a Terra-média terminou e ele foi levado acorrentado para Valinor e mantido prisioneiro por muitas Eras. Durante o período que Melkor permaneceu aprisionado os Elfos iniciaram a grande jornada em direção as Terras Imortais. Nem todos os Elfos conseguiram completar a Grande Jornada. Aqueles que chegaram ao continente de Aman encontram um novo lar nas terras de Eldamar, e construíram as maravilhosas cidades de Tirion, Alqualondë e Avallónë. Os que não conseguiram completar a jornada o fizeram por amor a Terra-média, escolheram viver entre os mortais... e tiveram vidas gloriosas entre os homens.

Também durante as Eras das Estrelas os anões foram feitos por Aulë na escuridão da Terra-média. Pois, tão grande era o desejo de Aulë pela vinda dos Filhos para ter aprendizes a quem ensinar suas habilidades e seus conhecimentos que não se dispôs a aguardar a realização dos desígnios de Ilúvatar. E Aulë criou os anões exatamente como ainda são porque as formas dos Filhos que estavam por vir não estavam nítidas em sua mente, e como o poder de Melkor ainda dominasse a Terra desejou que eles fossem fortes e obstinados. Temendo porém que os outros Valar pudessem condenar sua obra trabalhou em segredo e fez em primeiro lugar os Sete Pais dos Anões num palácio sob as montanhas na Terra-média.
Ilúvatar soube o que estava sendo feito, e no exato momento em que o trabalho se completava e Aulë e começava a ensinar aos anões a língua que inventara para eles, Ilúvatar lhe falou: "Por que fizeste isso? Por que tentaste algo que sabes estar fora de teu poder e de tua autoridade? Pois tens de mim como dom apenas tua própria existência e nada mais. E portanto as criaturas de tua mão e de tua mente poderão viver apenas através dessa existência, movendo-se quando tu pensares em movê-las e ficando ociosas se teu pensamento estiver voltado para outra coisa. É esse teu desejo?"

Envergonhado Aulë lhe respondeu: "Não desejei tamanha ascendência. Desejei seres diferentes de mim, que eu pudesse amar e ensinar para que também eles percebessem a beleza de Eä que tu fizeste surgir. Pois me pareceu que há muito espaço em Arda para vários seres que poderiam nele deleitar-se; e, no entanto em sua maior parte ela ainda está vazia e enfadonha. Na minha impaciência cometi essa loucura. Contudo a vontade de fazer coisas está em meu coração porque eu mesmo fui feito por ti. E a criança de pouco entendimento que graceja com os atos de seu pai pode estar fazendo isso sem nenhuma intenção de zombaria, mas apenas por ser filho dele. E agora o que posso fazer para que não te zangues comigo para sempre? Como um filho ao pai ofereço-te essas criaturas, obra das mãos que criaste. Faze com elas o que quiseres. Mas não seria melhor eu mesmo destruir o produto de minha presunção?"
E Aulë apanhou um enorme martelo para esmagar os anões; e chorou. Mas Ilúvatar apiedou-se de Aulë e de seu desejo em virtude de sua humildade. E os anões se encolheram diante do martelo e sentiram medo; baixaram a cabeça e imploraram clemência. E a voz de Ilúvatar disse a Aulë: "Tua oferta aceitei enquanto ela estava sendo feita. Não percebes que essas criaturas têm agora vida própria e falam com suas próprias vozes? Não fosse assim eles não teriam procurado fugir ao golpe nem a nenhum comando de tua vontade."

Assim falam as lendas dos Anões, sendo Aulë amado por todos desta raça e considerado seu pai. Porém os anões sabem que foi Ilúvatar quem lhes deu o verdadeiro sopro de vida, e não o esquecem.

E ainda uma outra raça foi criada neste tempo. Yavanna sentia temor por suas obras pois fora ela que criara todas as plantas e animais. Porém (pensava ela) os animais podiam correr e se defender em caso de necessidade, mas as árvores não se podiam mover, eram lentas no crescimento e seriam rapidamente derrubadas por homens, elfos e anões. Com estes pensamentos Yavanna falou a Manwë: "Meu coração está apreensivo pensando nos dias que virão. Todas as minhas obras me são caras. Não basta que Melkor já tenha destruído tantas? Será que nada do que criei ficará livre do domínio alheio?"

-Pela tua vontade, o que preservarias? - perguntou Manwë - de todo o teu reino, o que te é mais caro e precioso?

-Tudo tem seu valor, e cada um contribui para o valor dos outros. Mas os kelvar podem fugir ou se defender, ao passo que os olvar que crescem não. E entre estes prezo mais as árvores. Embora de crescimento demorado veloz é sua derrubada; e a menos que paguem o imposto dos frutos nos galhos pouca tristeza despertam quando morrem. É assim que vejo no meu pensamento. Quisera que as árvores falassem em defesa de todos os seres que têm raízes e castigassem aqueles que lhes fizessem mal!

Ao que Manwë responde: "Quando os Filhos despertarem o pensamento de Yavanna também despertará e convocará espíritos de muito longe que irão se misturar aos kelvar e aos olvar, alguns ali residirão e serão reverenciados, e sua justa ira será temida... enquanto os Primogênitos estiverem no apogeu e os Segundos forem jovens. Não te lembras agora Kementári, que teu pensamento cantava nem sempre sozinho? Que teu pensamento e o meu tampouco se encontravam de modo que nós dois alçávamos vôo juntos como grandes aves que sobem acima das nuvens? Isso também irá se passar pela intenção de Ilúvatar; e antes que os Filhos despertem as Águias dos Senhores do Oeste surgirão com asas como o vento.
Yavanna ouviu as palavras de Manwë e alegrou-se, se levantou com os braços esticados para os céus e disse: "Crescerão muito as árvores de Kementári para que as Águias do Rei possam habitar em suas copas!"

Manwë entretanto também ergueu-se; e ele parecia tão alto que sua voz descia até Yavanna como se viesse dos caminhos dos ventos: "Não Yavanna, apenas as árvores de Aulë terão altura suficiente para isso. As águias habitarão as copas das montanhas e ouvirão as vozes daqueles que clamam por nós. Mas nas florestas caminharão os Pastores de Árvores de Yavanna. Quase imortais serão feitos, fortes como a raiz da árvore mais antiga, pacientes como o correr interminável da água, e sábios com o conhecimento recebido em muitas Eras de vida. Porém não serão um povo guerreiro. Serão gentis e curiosos, mas uma vez que sua ira seja provocada ela se abaterá com a força do terremoto e do tufão... que se acautelem então os que perturbarem as árvores.

Durante estes acontecimentos Melkor ainda estava aprisionado, e de suas criaturas as que não foram destruídas na Guerra da Ira estavam escondidas cheias de medo. Tão grande foi a calma que se apoderou do mundo que estes anos ficaram conhecidos como A Paz de Arda. Foram anos em que os Elfos e outros povos livres prosperaram como nunca, e sua sabedoria e força aumentaram até seu ápice. Foi nas Eras das Estrelas que os elfos da Terra-média em Beleriand fundaram um grande reino, esses elfos foram os Teleri que seguiam o alto rei Élfico Thingol e a rainha Melian, que era uma Maia. Os elfos do reino de Beleriand eram conhecidos como Elfos Cinzentos, ou apenas como Sindar, tinham seu reino na grande floresta de Doriath, e sua capital era Menegroth das Mil Cavernas. Essa grande mansão foi esculpidas pelos Anões de forma a simular uma floresta de faias. Árvores, pássaros e animais silvestres foram esculpidos em pedra, e seus salões eram iluminados por lâmpadas de cristal e arejados por fontes naturais. Era uma das grandes maravilhas da Terra-média.

Por muito tempo os senhores de Sindar foram os Elfos mais poderosos da Terra-média. A exceção dos orcs não tinham nenhum inimigo, mas como aliados tinham os Laiquendi, chamados de Elfos Verdes, e os Anões de Belegost e Nogrod das Montanhas Azuis. Estes reinos do Anões de Nogrod e Belegost prosperaram em seu comércio com os Elfos de Beleriand através das Eras das Estrelas. Mestres em esculpir a pedra, eles escavaram amplas galerias sob as Montanhas Azuis em busca de metais preciosos e foram contratados pelos Elfos para escavarem a maior parte dos grandes corredores e salas de Menegroth. Os Anões de Nogrod eram considerados os melhores ferreiros da Terra-média e forjaram espadas e lanças do aço mais nobre, enquanto os Anões de Belegost eram os melhores no feitio de malhas de aço e armaduras à prova de dragões. Tão grande era a força do reino de Beleriand que sua aliança com outros Elfos se estendeu até a grande floresta de Eriador.

Muito além da floresta de Eriador existia o maior reino dos Anões na Terra-média. Era chamado de Kazad-dûm, a Montanha dos Anões. Durante as Eras das Estrelas esse reino prosperou e estendeu seus salões por enormes cordilheiras de montanhas... embora seu papel das histórias de Beleriand tenha sido de pequena importância. As histórias dos Elfos contam que as Eras das Estrelas duraram dez mil anos dos mortais. Foram as eras de maiores descobertas onde foram criadas maravilhas e acumulados conhecimentos nunca superados. Mas isso teve um fim quando Melkor foi libertado de seu cativeiro no continente de Aman. Fingindo estar arrependido de suas ações ele esperou os outros Valar baixarem sua vigilância e destruiu as duas Árvores dos Valar fugindo em seguida de volta a Terra-média onde se refugiou em Angband nas Montanhas de Ferro.

Com isso a Paz de Arda teve um fim abrupto e a guerra se espalhou por toda a Terra-média. Assim as Eras das Estrelas tem um triste final.
Fonte:Duvendor

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