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quinta-feira, 31 de janeiro de 2013

A História de Arda #4- As Eras da Escuridão: o Exílio dos Noldor


Enquanto o passar das Eras se aproximava da hora estabelecida por Ilúvatar para o despertar dos elfos, a Terra-média jazia numa penumbra sob a fraca luz das estrelas que Varda havia criado nos tempos remotos da sua labuta.
E nas trevas habitava Melkor, ele ainda saía com freqüência e sob muitos disfarces de poder e terror, brandindo o frio e o fogo dos cumes das montanhas às fornalhas profundas que se encontram sob elas. No norte porém Melkor aumentava suas forças e não dormia, mas vigiava e trabalhava. Os seres nefastos que ele havia pervertido andavam à solta e os bosques escuros e sonolentos eram assombrados por monstros e formas pavorosas. Em Utumno ele reuniu seus demônios, aqueles espíritos que primeiro lhe haviam sido leais nos seus dias de esplendor e se tornado mais parecidos com ele em sua depravação.
Seus corações eram de fogo mas eles se ocultavam nas trevas, e o terror ia à sua frente com seus açoites de chamas. Balrogs foram eles chamados na Terra-média em tempos mais recentes. Naquela época sombria Melkor gerou muitos outros monstros de variados tipos e formas que por muito tempo atormentaram o mundo. E seu reino cada vez mais se espalhava na direção do sul através da devastada Terra-média.

Em Utumno o Senhor do Escuro reuniu um grande exército. Todas as criaturas distorcidas e maléficas dos mundo atenderam ao seu chamado, seu número era grande e crescia cada vez mais, pois Melkor nunca parava de criar novas e mais terríveis criaturas. As lendas dos elfos contam que todas as serpentes do mundo foram criadas em Utumno, seu reino escuro era o lar de Lobisomens e Vampiros, insetos que se alimentavam de sangue e de todas as criaturas que rastejam e deslizam pela terra. Utumno era comandada pelos mais poderosos servos de Melkor, os espíritos Maiar de fogo chamados por todos de Balrogs. O maior dentre todos era o Alto Capitão de Utumno, Gothmog o Balrog.

E Melkor construiu também uma fortaleza e arsenal não muito distante do litoral noroeste para resistir a qualquer ataque que viesse de Aman. Essa cidadela era comandada por Sauron, lugar-tenente de Melkor; e seu nome era Angband. As Eras da Escuridão foram os anos de glória de Melkor, por seu ato de destruição das Lâmpadas o Senhor do Escuro herdou por completo a mutilada Terra-média, pois os Valar desistiram de lhe fazer a guerra e cansados de luta partiam para o oeste... e Terra-média em ruínas e escura se manteve sob seu domínio durante dez mil anos mortais.

Da beleza e bem-aventurança de Valinor os Valar raramente atravessavam as montanhas para chegar à Terra-média, mas dedicavam à terra por trás das Pelóri carinho e amor. E no meio do Reino Abençoado estava a morada de Aulë, lá ele muito trabalhou pois na criação de todas as coisas naquela terra teve o papel principal, e lá realizou muitas obras bonitas e bem-feitas, tanto abertamente quanto em segredo. Dele vêm as tradições e os conhecimentos da Terra e de tudo o que ela contém - tanto as tradições dos que nada fazem mas buscam o entendimento do que seja quanto as tradições de todos os artífices: o tecelão, aquele que dá forma à madeira, aquele que trabalha os metais; aquele que cultiva e também lavra, embora estes últimos e todos os que lidam com o que cresce e dá frutos devam recorrer também à esposa de Aulë, Yavanna Kementári.

Aulë que é chamado de Amigo-dos-noldor, pois com ele estes elfos aprenderam muito nos tempo que viriam; e os noldor são os mais habilidosos de todas as três famílias élficas. A seu próprio modo de acordo com os dons que Ilúvatar lhes concedeu, eles muito acrescentaram aos seus ensinamentos apreciando línguas e textos, figuras bordadas, desenho e entalhe. Foram também os noldor os primeiros a aprender a criar pedras preciosas; sendo as mais belas de todas as gemas as Silmarils que estão perdidas.

E naquela época de trevas Yavanna também não quis abandonar totalmente as Terra-média pois tudo o que cresce lhe é caro, e ela chorava pelas obras que havia começado e Melkor destruíra. Assim deixando a morada de Aulë e os prados floridos de Valinor ela às vezes vinha curar os ferimentos causados por Melkor; e ao voltar costumava instigar os Valar para a guerra contra seu domínio nefasto que sem dúvida precisariam travar antes da chegada dos elfos.
Oromë, o domador de feras, também costumava cavalgar de vez em quando na escuridão das florestas sem luz. Como caçador poderoso ele vinha com lança e arco perseguindo até a morte os monstros e as criaturas impiedosas do reino de Melkor; seu cavalo branco Nahar brilhava como prata nas sombras. E então a terra adormecida tremia ao som de seus cascos dourados.

No crepúsculo do mundo Oromë costumava fazer soar a Valaróma, sua grande trompa, pelas planícies de Arda; nesse momento as montanhas reverberavam o som, as sombras do mal fugiam e o próprio Melkor tremia em Utumno prevendo a ira que estava por vir. Porém assim que Oromë passava os servos de Melkor voltavam a se reunir; e as terras se cobriam de sombras e falsidade. E agora já se disse tudo o que estava relacionado à natureza da Terra e seus governantes no início dos tempos, antes que o mundo se tornasse tal como os Filhos de Ilúvatar o conheceram. Pois elfos e homens são os Filhos de Ilúvatar e como os Ainur não entendessem plenamente o tema através do qual os Filhos entraram na Música, nenhum deles ousou acrescentar nada de sua próprio escolha.

Por este motivo os Valar são para essas famílias mais como antepassados e conselheiros do que como senhores. E se algum dia no seu trato com elfos e homens os Ainur tentaram forçá-los quando eles não queriam ser orientados, raramente o resultado foi bom por melhor que fossem as intenções. As relações dos Ainur na realidade se deram principalmente com os elfos pois Ilúvatar os fez mais parecidos com os Ainur embora inferiores em poder e em estatura; enquanto aos homens conferiu dons estranhos.

Pois diz-se que depois da partida dos Valar houve silêncio e por uma eternidade Ilúvatar permaneceu sentado meditando. Então ele falou e disse: -Olhem, eu amo a Terra que será uma mansão para os quendi e os atani! Mas os quendi serão as mais belas criaturas da Terra e irão ter conceber e produzir maior beleza do que todos os meus Filhos; e terão as maiores felicidades neste mundo. Já aos atani concederei um novo dom. Ele assim determinou que os corações dos homens sempre buscassem algo fora do mundo e que nele não encontrassem descanso; mas que tivessem capacidade de moldar sua vida em meio aos poderes e aos acasos do mundo fora do alcance da Música dos Ainur, que é como que o destino de todas as outras coisas; e por meio de sua atuação tudo deveria em forma e de fato ser completado; e o mundo seria concluído até o último e mais ínfimo detalhe.

Ilúvatar sabia porém que os homens colocados em meio ao torvelinho dos poderes do mundo se afastariam com freqüência do caminho e não usariam seus dons em harmonia; e disse: -Esses também, no seu tempo, descobrirão que tudo o que fazem resulta no final em glória para minha obra. -Contudo os elfos acreditam que os homens costumam ser motivo de tristeza para Manwë que conhece a maior parte da mente de Ilúvatar; na opinião dos elfos os homens são mais parecidos com Melkor do que com qualquer outro Ainur, embora Melkor sempre tenha temido e odiado mesmo aqueles que lhe prestaram serviços.

Inclui-se nesse dom de liberdade que os filhos dos homens permaneçam vivos por um curto intervalo no mundo, não sendo presos a ele e partam logo, sendo que para onde os elfos não sabem. Ao passo que os elfos ficam até o final dos tempos e seu amor pela Terra e por todo o mundo é mais exclusivo e intenso por esse motivo, e com o passar dos anos cada vez mais cheio de tristezas. Pois os elfos não morrem enquanto o mundo não morrer a menos que sejam assassinados ou que definhem de dor (e a essas duas mortes aparentes eles estão sujeitos); nem a idade reduz sua força a menos que estejam fartos de dez mil séculos de vida, e ao morrer eles são reunidos na morada de Mandos em Valinor, de onde podem depois retornar. Já os filhos dos homens morrem de verdade e deixam o mundo; motivo pelo qual são chamados Hóspedes ou Forasteiros.

A morte é seu destino, o dom de Ilúvatar que com o passar do tempo até os Poderes hão de invejar. Melkor porém laçou sua sombra sobre esse dom confundindo-o com as trevas; e fez surgir o mal do bem; e o medo da esperança. Outrora no entanto os Valar declararam aos elfos em Valinor que os homens juntarão suas vozes ao coro na Segunda Música dos Ainur; embora Ilúvatar não tenha revelado suas intenções com relação aos elfos depois do fim do Mundo; e Melkor ainda não as tenha descoberto.
Fonte:Duvendor

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